Entrevista com Felipe Reviglio – Burson – Marsteller Brasil

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Felipe Reviglio – Burson-Brasil

O Versátil RP entrevistou Felipe Reviglio – Líder de Recursos Humanos da Burson-Marsteller Brasil. “Criatividade está entre os princípios da agência e é o que move o nosso trabalho junto com estratégia, relacionamento e rigor na execução de nossos projetos”.

     Formado em Psicologia, com especialização em gerenciamento de Recursos Humanos, Felipe já trabalhou na área de RH das empresas EZC Construção Civil, RSG e Sanofi-Aventis.  Há quatro anos, atua na área de captação de novos talentos e gerenciamento de projetos de RH na Burson-Marsteller Brasil, uma das maiores redes globais de consultoria de comunicação corporativa e relações públicas.

1.Como o profissional de RP pode se destacar perante outros profissionais com outras habilidades na comunicação? O que mais atraem as empresas no perfil profissional do RP?

A Burson-Marsteller é uma consultoria de Relações Públicas que nasceu da expertise de um jornalista – Harold Burson – e um publicitário – Bill Marsteller. As diferentes áreas da comunicação estão juntas desde o nosso nascimento, e entendemos que isto agrega valor ao nosso trabalho.

Se oferecemos aos nossos clientes um “mix de comunicação”, temos na agência este mesmo mix, formado por relações-públicas, jornalistas e publicitários. As visões de cada formação se complementam.

Se eu tivesse que citar, especificamente, as habilidades de um relações-públicas, diria que seu grande diferencial é sua formação, que abrange diversas “subáreas“ da Comunicação, como assessoria de imprensa, comunicação interna, comunicação pública, relacionamento com comunidades, organização de eventos, entre outras.

Percebemos também que o RP consegue relacionar com facilidade os planos de comunicação aos objetivos de negócio da empresa, por já treinar este olhar desde a faculdade.

2.Existe crise, porém também há vagas disponíveis. Como você explica essa quantidade desproporcional entre candidatos e vagas disponibilizadas nos sites de recrutamento e seleção?

Entendemos que, em momentos de crise, o mercado tende a se retrair: existem menos vagas e as pessoas optam por não trocar de emprego, buscando mais segurança e estabilidade. Por outro lado, as empresas não podem deixar de investir em sua reputação e seu principal diferencial, e, como consultoria estratégica de comunicação, é com isso que trabalhamos.

Um estudo sobre as 100 marcas mais valiosas do mundo realizado pela WPP – grupo de comunicação ao qual a Burson pertence – chamando BrandZ, indicou que, as marcas que não continuarem investindo neste período de crise, estarão em uma posição mais fraca quando a economia voltar a “crescer”. Com criatividade e projetos efetivos de comunicação, as empresas podem manter os laços com seus públicos estratégicos vivos.

No geral, mesmo em um momento de crise e em um mercado que tende a ter bastante rotatividade, temos um momento favorável para a comunicação corporativa, e ainda não sentimos uma queda considerável no número de vagas disponíveis.

3.O que de fato as empresas de comunicação buscam em seus candidatos?

Como consultora de comunicação, nosso escopo de trabalho e clientes são bem diversificados e, com isto, a busca por um candidato é bem específica. Não existe uma fórmula única para isso, mas vou arriscar:

No geral, buscamos candidatos criativos e antenados, atentos às novidades e tendências de diferentes mercados, não só de Comunicação. Por trabalharmos com relações, buscamos candidatos que tenham facilidade em criar relacionamentos, estabelecer e ampliar a sua rede de contatos – e esta habilidade já podemos perceber na primeira entrevista de emprego.

Outro ponto importante é transitar bem entre os dois mundos, o on e o off-line, estar aberto às novas tecnologias, ser dinâmico e organizado.

4.Durante uma entrevista, o que mais cativa o selecionador no comportamento do entrevistado?

Em qualquer candidatado, buscamos sempre duas habilidades essenciais: uma é a habilidade técnica e a outra é a habilidade social, com foco no mundo corporativo. Observamos se o candidato sabe se apresentar, “quebrar o gelo”, iniciar uma conversa etc.

Sabemos que uma entrevista de emprego gera ansiedade e deixa as pessoas nervosas. Se o candidato souber contornar este nervosismo, se expressar bem e demonstrar todo o seu potencial, com certeza dará uma boa impressão ao recrutador.

5.Dentro das habilitações da Comunicação, o relações-públicas se destaca pela capacidade de se colocar no lugar do outro (empatia) na rotina de trabalho. Isto ajuda ou prejudica o profissional na hora de ter que se impor em alguma situação desconfortável?

Acho que esta característica não ajuda e nem atrapalha. Geralmente, todo bom comunicador sabe se expressar de forma assertiva, independentemente do contexto, e consegue falar tanto um elogio quanto uma crítica, sem se omitir.

6.Fala-se muito de pensar “fora da caixa”. Como você enxerga esse movimento de criar algo que possa ser visto de forma inusitada e positiva para as empresas de comunicação?

Criatividade está entre os princípios da agência e é o que move o nosso trabalho junto com estratégia, relacionamento e rigor na execução de nossos projetos.

Além de reconhecer e recompensar pessoas pela criatividade e inovação, nós estamos constantemente estimulando isso por meio de brainstormings e concursos internos.

7.A Burson-Marsteller é uma rede global. Quais são as principais diferenças entre o público brasileiro da Burson e os demais? Como se comportam, pensam, enxergam e sonham?

Os profissionais da B-M globalmente possuem um perfil hands-on e criativo. Isso também pode ser notado nas nossas operações aqui, onde temos um ambiente friendly e a cooperação entre equipes acontece naturalmente.

Especificamente no Brasil, eu poderia citar as seguintes características, relacionadas principalmente a fatores culturais:

  • Temos aqui um perfil diversificado, ousado, que “cruza as fronteiras” da comunicação para oferecer serviços que vão além do PR
  • No Brasil, integramos com facilidade ações de PR on e off-line. Os nossos profissionais, hoje, possuem um mindset integrado para pensar em soluções mais estratégicas para os nossos clientes.
  • Nossos profissionais são no mínimo bilíngues. O inglês é requisito mínimo para ingressar na Burson.

8.Hoje as empresas buscam profissionais multitarefas para atuarem com muitas demandas. Há dificuldade em encontrar um profissional assim? Como vocês conseguem atrair o candidato para uma vaga neste perfil, caso haja?

Como comentei, o trabalho em uma consultoria de comunicação já exige um profissional organizado e dinâmico, que consiga lidar com diversas tarefas ao mesmo tempo. Muitos comunicadores já têm isso em sua essência.

Por outro lado, procuramos formar na base profissionais que, além de serem multitarefas, entendam sobre o negócio da empresa, e qual o valor que o nosso trabalho tem para os nossos clientes. A habilidade de lidar com diversas demandas ao mesmo tempo não é nada se o profissional não consegue ver sentido no que faz, e não consegue atribuir um olhar estratégico para suas ações.

9.Às vezes, mesmo com um nível menor, profissionais com perfil analítico e estratégico, menos voltado ao operacional, são identificados. Como vocês lidam com isto?

A Burson possui um nível alto de exigência na contratação de novos profissionais, o que envolve nível acadêmico (bacharelado concluído ou em andamento), experiência profissional, domínio de idiomas e adaptação à nossa cultura.

10.Um candidato para uma vaga de estágio na Burson com este perfil, por exemplo, tem chances de ser contratado para desenvolver também essas habilidades? Em geral, a preferência é por profissional estratégico ou operacional? Como é feita essa identificação e definição nos processos seletivos?

Gostamos de perfis que tragam uma boa mistura destas duas habilidades. Aqui na Burson, é muito comum que todos ponham a “mão na massa”, independentemente do nível hierárquico.

O escopo de trabalho de um estagiário tende a ser mais operacional, o que não impede de ele ser envolvido em atividades estratégicas. Em um brainstorming, por exemplo, o estagiário pode ter acesso à estratégia de negócios e comunicação dos clientes e tem a oportunidade de expor suas ideias.

No próprio dia-a-dia da empresa ele também pode ser envolvido em ações menores, mas que fazem parte de um grande projeto de Comunicação. Nós pensamos, sempre, em formas de desenvolver as habilidades (operacionais e estratégicas) de todos.

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